Ex-soldados denunciam violência e abuso sexual dentro de quartel do Exército em Alagoas

59º Batalhão de Infantaria Militar, em Maceió Reprodução Dois ex-soldados denunciaram casos de violência e abuso sexual dentro do 59º Batalhão de Infant...

Ex-soldados denunciam violência e abuso sexual dentro de quartel do Exército em Alagoas
Ex-soldados denunciam violência e abuso sexual dentro de quartel do Exército em Alagoas (Foto: Reprodução)

59º Batalhão de Infantaria Militar, em Maceió Reprodução Dois ex-soldados denunciaram casos de violência e abuso sexual dentro do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado do Exército Brasileiro (BIMtz), localizado no bairro do Farol, em Maceió, na capital alagoana. As acusações foram formalizadas e entregues ao Ministério Público Federal (MPF) na última sexta-feira (10). O g1 entrou em contato com o MPF, que confirmou o recebimento das denúncias. Segundo o órgão, por envolver militares, o caso será analisado para definir quem ficará responsável pelas investigações. A análise deve ocorrer nesta segunda-feira (13). O Exército Brasileiro (EB) foi procurado para informar quais providências adotou após a denúncia, mas não retornou até a última atualização desta reportagem. Denúncias Veja os vídeos que estão em alta no g1 Pablo Vince Pereira da Silva, de 20 anos, contou que foi vítima de abuso sexual em setembro de 2025, enquanto era soldado na corporação. De acordo com ele, o episódio aconteceu enquanto dormia. Um soldado teria se aproveitado da situação e, nesse momento, encostado o pênis em seu rosto, enquanto uma terceira pessoa, também soldado, filmava o abuso. Pablo contou ainda que o vídeo circulou entre os colegas de farda e que só teve ciência do fato após um amigo lhe contar. Ele abriu um procedimento interno para que o caso fosse apurado. “Eu estava há um ano e quatro meses no Exército, já tinha cumprido o período obrigatório e podia permanecer por até sete anos. Estou fazendo tratamento médico e tomando medicação controlada por conta dessa situação. Laudos médicos apontam que fiquei com sequelas por causa disso”, desabafou o ex-militar. A segunda denúncia foi registrada em junho de 2025, segundo o advogado Alberto Jorge, que faz a defesa dos dois ex-soldados. Ele contou que o cliente, que não quis se identificar, foi levado até a câmara fria do quartel, onde foi obrigado a tirar a roupa, colocado de cabeça para baixo e agredido. “Deixaram-no nu e, por mais de dois minutos, e ficaram batendo nas nádegas dele. Ele estava há mais de um ano no Exército. Denunciou a situação em junho, quando sofreu essas barbáries”, explicou o advogado. Alberto Jorge relatou ainda que entende a agressão como tortura. Segundo ele, participaram do crime um sargento, quatro cabos e um soldado. “Isso tudo aconteceu durante o dia. Simplesmente chamaram a vítima para a câmara fria, onde fica o material de alimentação do Exército. Como foi uma ordem dada por um superior, ele foi na tentativa de cumpri-la”, afirmou. Nas denúncias entregues ao MPF, o advogado pede que os dois sejam realocados para reserva remunerada, além de receberem indenização por danos morais, materiais e psicológicos. Sequelas e ação O advogado Alberto Jorge disse ainda que os dois clientes apresentam sequelas em decorrência dos abusos sofridos e que, após as denúncias, apesar de sindicâncias terem sido abertas para investigar os casos, foram expulsos das Forças Armadas. A defesa afirmou que, atualmente, os dois não fazem parte nem da reserva militar do Exército.

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