Jovem com esclerose múltipla conclui ensino médio e se prepara para cursar Arquitetura em AL

Jovem com esclerose múltipla conclui ensino médio e se prepara para cursar Arquitetura A estudante Maria Eloísa, de 19 anos, superou o diagnóstico de escler...

Jovem com esclerose múltipla conclui ensino médio e se prepara para cursar Arquitetura em AL
Jovem com esclerose múltipla conclui ensino médio e se prepara para cursar Arquitetura em AL (Foto: Reprodução)

Jovem com esclerose múltipla conclui ensino médio e se prepara para cursar Arquitetura A estudante Maria Eloísa, de 19 anos, superou o diagnóstico de esclerose múltipla durante o ensino médio e concluiu os estudos em Maceió. Após enfrentar crises da doença, adaptações na escola e meses de recuperação, ela agora se prepara para iniciar o curso de Arquitetura, previsto para começar em junho. (Assista acima) 🔎A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica que afeta o sistema nervoso central, comprometendo a comunicação entre o cérebro e o corpo. Entre os sintomas mais comuns estão fraqueza muscular, dificuldade de locomoção, alterações na fala e fadiga. No Brasil, estima-se que cerca de 15 pessoas a cada 100 mil habitantes convivam com a doença. Maria Eloísa é uma delas. Nascida em Garanhuns, em Pernambuco, ela se mudou para Maceió em 2020 com a família, após o irmão ser aprovado no curso de Física da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Pouco tempo depois da mudança, a pandemia da Covid-19 dificultou a adaptação e trouxe desafios financeiros para a família. “Meu pai é caminhoneiro e foi fazendo mudanças com o caminhão próprio. Minha mãe trabalhava como manicure e diarista. Assim fomos mantendo a casa”, contou em entrevista ao g1. Primeiros sintomas e crises Os primeiros sinais da doença apareceram em 2021, quando Maria Eloísa viajou para Garanhuns. Ela começou a sentir fraqueza nos braços, dificuldade na fala e nas pernas. A segunda crise aconteceu em 2023, quando ela tinha 16 anos e cursava o 1º ano do ensino médio. Na época, a estudante tinha uma consulta marcada no Recife e precisava realizar uma ressonância magnética, mas apresentou piora antes mesmo do exame. “Comecei a me sentir muito fraca e fui para Recife ser tratada. Depois da alta, ainda não estava bem fisicamente nem mentalmente, então precisei me afastar da escola”, relatou. Após a segunda crise, a suspeita de esclerose múltipla ficou mais forte. Em 2024, após investigação médica veio o diagnóstico definitivo. Desafios na volta à escola Durante a recuperação, Maria Eloísa precisou adaptar a rotina escolar. Com dificuldades para escrever e sensibilidade ao calor, ela passou três meses levando um ventilador para a sala de aula. “Eu passava mal por causa do calor. Pedi para levar meu ventilador e fiquei assim até a escola instalar ar-condicionado”, contou. Sem conseguir escrever, a estudante começou a anotar conteúdos pelo celular. Depois, ganhou um tablet do irmão, o que facilitou o acompanhamento das aulas. Com sessões de fisioterapia, Maria Eloísa foi recuperando os movimentos aos poucos. Atualmente, a doença está estabilizada. VEJA TAMBÉM Diagnóstico de esclerose múltipla é mais comum em mulheres Tratamento pelo SUS Estudante de Arquitetura Maria Eloísa, de 19 anos, diagnosticada com esclerose múltipla. Arquivo pessoal Maria Eloísa faz acompanhamento médico a cada seis meses e utiliza o medicamento Fingolimode, fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, o remédio custa cerca de R$ 7 mil por caixa. “Meu tratamento é tranquilo. Tomo apenas um remédio por dia e faço exames de sangue a cada seis meses para continuar recebendo o medicamento”, explicou. Ela destacou que todo o atendimento foi realizado pelo SUS, incluindo os exames e o diagnóstico. Durante o tratamento, Maria Eloísa contou com o apoio da família, amigos, namorado e colegas. “Antes da crise eu tinha uma vida normal, viajava, fazia cursos. Depois precisei parar por cerca de cinco meses. O apoio de todos fez muita diferença”, afirmou. A estudante também destacou a fé como parte importante da recuperação. Segundo ela, a família fez promessas pela melhora, incluindo uma viagem a Juazeiro do Norte, no Ceará. Interesse por Arquitetura Em 2025, Maria Eloísa participou do Programa de Apoio aos Estudantes das Escolas Públicas do Estado (PAESPE), realizado na UFAL. A experiência despertou o interesse pela arquitetura. “Conheci pessoas, tive contato com a universidade e fui me interessando pela área”, disse. Agora, após concluir o ensino médio, ela aguarda o início da faculdade, previsto para junho. Enquanto isso, mantém a rotina normalmente, utilizando transporte público e seguindo o tratamento. “Graças a Deus, a doença estacionou e estou me tratando. Hoje consigo seguir meus planos e começar uma nova fase”, afirmou. Diagnóstico precoce e tratamento são fundamentais Segundo a médica neurologista da Santa Casa de Maceió, Maraysa Pereira, a esclerose múltipla é considerada a doença neurodegenerativa do sistema nervoso central que mais incapacita adultos jovens. A condição atinge com maior frequência mulheres entre 20 e 40 anos, embora possa acometer pessoas de qualquer idade, incluindo homens e idosos. A especialista explica que a doença pode se apresentar de formas diferentes, com quadros mais leves e outros mais agressivos. “Na maioria dos casos, a resposta ao tratamento é muito boa e o paciente pode levar uma vida normal, principalmente quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é iniciado rapidamente”, afirmou. De acordo com a neurologista, o tratamento é dividido entre a fase aguda, durante as crises, geralmente realizada em ambiente hospitalar por cinco a sete dias, e o tratamento contínuo, com uso de medicações para evitar novas crises e reduzir a progressão da doença. “Pacientes com esclerose múltipla podem trabalhar, estudar e praticar atividade física normalmente. O mais importante é o acompanhamento médico adequado para evitar novas crises e possíveis sequelas ao longo do tempo”, explicou.

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